Tempo... caminho solitário!!

Tristeza é enterrar um pai ao anoitecer, uma alvorada no cemitério; o último adeus a quem era e é parte viva de sua alma, de sua genealogia, de sua história; uma fila no começo do expediente da mina de carvão; um vestido de noiva na liquidação do brechó; um lamento em chinês nos escombros de um terremoto. Contudo, só o triste veste o luto e se percebe; só o lagrimoso enxerga; só o desconsolado acorda. Portanto, bem-aventurado sim o que chora; o que sabe o antônimo de inexpugnável; o que aceita a robustez da impotência da falta. Aliás o nada como aprendi com um amigo que nada é a necrose da alma. Angústia é um relógio que marca centésimos de segundos; um verdugo que dá instruções ao condenado do patíbulo; uma enfermeira que aplica a quimioterapia mesmo sabendo que não haverá cura; um fim sem explicação. Contudo, só o angustiado se re-inventa; só o inquieto arroja; só o desassossegado percebe. Portanto, bem-aventurado o que luta; o que sente seu luto e entende; o que vive dependurado na palha da esperança; o que se inspira na certeza do cuidado do cordeiro. Sem esse cuidado o dia de hoje seria apenas paisagem e agonia; sem Ele o ser... tornar-se cadáver e a esperança crucificação; sem essa consciência Deus se torna remédio e a fé manual do guia prático das psicoses da religião. Aprendi com meu amigo psicanalista Wellington que isso passa e fica apenas a saudade; com àqueles que viveram essa experiência que isso é apenas um meio de nos achegarmos a Deus; aprendi por mim mesmo que nunca mais serei “o mesmo”. Dan
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